1 mês sem você…

 

 

Como é difícil… 

Queria escrever, mas palavras me faltam… Abro o computador, penso nas coisas que eu poderia compartilhar… Mas a vontade me falta.

Peço licença para escrever esse texto. 

Às vezes, parece que estou no meio de um pesadelo e quero acordar… Mas não há como acordar. Não nessa vida. Você se foi… Não aqui dentro. Aqui dentro de mim você permanece mais vivo do que nunca. Mas é difícil querer te ligar e não poder. Parece mentira, a morte…

A morte é estúpida. Do corpo físico. Porque certamente existe algo muito maior que talvez não possamos compreender de todo, pelo menos não enquanto estamos matéria. Eu sei. Eu sei que há algo muito maior do que isso. Mas enquanto um corpo físico materializado, sofro. E sofro porque dói.

Nunca pensei que fosse compreender na carne o ditado que diz: “Você não sabe o quanto é forte, até que sua única alternativa é ser forte.” O quanto eu ouvi isso: “Nossa, como você é forte.” E eu não sei explicar…

Logo eu, que gosto de racionalizar tudo, que aprendi com você a tentar ver lógica em tudo. Mesmo onde não tem. Porque você partir não tem lógica. Ou tem?…

Nunca pensei que você fosse me ensinar o valor da vida. Digo isso porque sim, muitas vezes você reclamou da vida… Preciso ser franca. Mas sim, você também me ensinou a aproveitar tudo o que a vida tem de bom a nos oferecer, o “ser”, e não o “ter”, ou o “mostrar que se tem”. Um lindo bon vivant

Nunca vou esquecer o seu olhar quando saiu pela primeira vez do hospital e olhou a rua… Olhar a rua… Uma coisa tão “simples”, não é? Olhar a rua! Mas o seu olhar não foi um olhar comum. Ele me marcou… Me marcou porque foi um olhar de contemplação, e naquele momento eu percebi o quanto devemos ser gratos pela VIDA. 

E desde então, não importa como eu me sinta, eu agradeço todos os dias pela minha vida. Quando eu saio de casa e vejo o céu, eu agradeço. E agradeço a você, por ter me mostrado o valor da minha vida. 

Por mais que doa… Por mais que não faça sentido. Agora. Agradeço.

Se tem uma coisa que em todo esse processo doloroso eu aprendi, foi o ser grata. Gratidão. Uma palavra que pode parecer simples, mas que tem um significado grandioso. Eu agradeço por tudo o que já me aconteceu nessa vida. Pode parecer estranho, mas agradeço até pelos momentos mais dolorosos. Como foram os últimos meses, os últimos dias, os últimos minutos… Dor e aprendizado. Aprendizado e dor.

Eu gostaria do fundo do meu coração dar um significado maior à minha vida. Sempre tive essa sensação. De que as coisas precisam ter uma real significado para fazerem sentido. 

Desde que comecei a escrever no blog, na verdade desde que comecei a pensar na ideia de ter um blog, quis que de alguma forma tudo tivesse um significado maior do que dizer às pessoas onde ir, o que comer, como fazer para ir de um lugar a outro. Sempre achei tudo isso muito pequeno, muito pouco, mas sigo tentando encontrar uma forma de dar um real significado às coisas que escrevo, tentando passar uma mensagem que signifique MAIS do que tão pouco. Sigo tentando… E isso para mim é o que importa.

A música, a arte, tudo isso faz parte do que sou, e graças a você. Porque sempre que eu ouvir as primeiras notas de qualquer piano, vou sentir que você está comigo, que está presente, mesmo que ausente. O amor à arte. O amor ao significado das coisas. Aliás, as coisas possuem realmente um significado, ou é a gente que significa tudo e todos? (…)

A lógica. Eu, que sempre fui tão passional, e ao mesmo tempo tão admirada pelo seu modo de ver lógica em tudo. 

A sua inteligência. Que eu queria ter um milésimo para me gabar (será?), ou apenas para sentir que eu não sou tão pequena nesse mundo…

Engenheiro, músico, fotógrafo, cientista. 

Te amo. Obrigada por tudo que fez por mim, pelo seu amor, pelo seu carinho, por ter sido (e ainda ser) o meu PAI.

Precisava escrever esse texto para dar continuidade ao blog. Não sei se vou conseguir, mas certamente irei tentar. 

Porque sim… 

Sinto que a vida me tirou o chão. Mas quem diria, pai… Quem diria que você já havia me ensinado a voar.

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